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Professores que atendem alunos superdotados falam sobre o programa

Publicado por danjornalista em 5 05UTC novembro 05UTC 2009

“Eu estudo linguagem C de programação por aqueles cursos à distância e já fiz até alguns programas”. Poderia ser uma afirmação comum, no entanto quem disse foi um menino de 10 anos.

Ele se chama Ícaro Noé. O garoto está entre os cerca de 1200 alunos do ensino regular que têm acompanhamento nas salas do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S).

Desde 2005 os alunos que apresentam altas habilidades em determinada área são encaminhados para estas salas.  O Centro de Ensino 57 de Ceilândia é uma das 15 escolas públicas do Distrito Federal que possuem tal atendimento. Nesta escola os jovens têm aulas de Artes Plásticas e Ciências, de acordo com a habilidade manifestada, sempre no turno inverso ao da escola regular.

Os professores afirmam que a melhora dos estudantes é nítida. “Como aqui os alunos desenvolvem projetos a partir das preferências deles, o resultado é satisfatório. Há uma melhora global em todos os aspectos, o que reflete na escola regular”, afirma o professor Benilton Azevedo, responsável pela área de Ciências do núcleo da escola.

De acordo com ele cada aluno desenvolve um projeto de pesquisa em determinada área do conhecimento. O professor também utiliza elementos lúdicos para desenvolvê-los como o jogo Lego para estudar física ou mesmo um xadrez.

A professora de Artes Plásticas, Sandra Machado, explica que a metodologia aplicada nas salas do núcleo é diferente da utilizada no ensino regular. “Aqui a metodologia é toda individualizada, cada aluno tem um atendimento específico”, conta.

Falta de Recursos

Sandra também ressalta que mesmo com a verba destinada para o projeto há dificuldades na execução dos trabalhos. “Os materiais comprados pela Secretaria de Educação duram pouco. Por isso, contamos com doações de parceiros como empresas ou artistas que dão telas usadas e pintamos de branco para serem reutilizadas”, diz.

Ela revela: “Num dos primeiros concursos que os alunos participaram utilizamos vinil como suporte para pintar obras e mesmo assim alguns alunos tiveram suas obras premiadas”.

O professor Benilton também conta sobre as dificuldades enfrentadas pela falta de recursos: “A nossa biblioteca foi montada com livros usados e muitos estão desatualizados. Um problema é a falta de materiais para trabalhar com os alunos”.

A coordenadora do núcleo no DF, Olzeni Ribeiro, lembra que a pouca quantidade de recursos é fruto do sistema que ainda não está preparado. “A verba é dada de acordo com a quantidade de alunos cadastrados. No entanto, o sistema não aceita dois cadastros, ou seja, ou o aluno está como do ensino regular ou do núcleo”, explica.

Leia também: DF tem a maior quantidade de superdotados do país

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